11 abr

Mãe e filho fazem arte na Orangotango

A Orangotango está de cara nova.

painel menor blog

Para falar a verdade, de roupa nova.
A gente queria dar uma mudada, escolher um “novo modelito” para enfeitar a loja.
Foi aí que conheci os desenhos da Adriane Bertini, ilustradora e artista gráfica das boas.
Eu queria um painel estampado, com traço leve e infantil. Descobri que a Adriane é mãe de um talentoso menino, o Artur, que adora rabiscar e desenhar.
Convidei a dupla, que nunca tinha trabalhado junta,  para desenhar um painel cheio de bichos e criaturinhas malucas.
O painel ficou lindo e agora ele enfeita o mundo estampado do site da Orangotango.
A Adriane contou pra gente como foi tudo isso.
monstro 1
“O Artur é um menino de nove anos, doce e alegre que ama a natureza e grandes aventuras, eu sou a mãe do Artur e gosto de florestas e vento no cabelo. Desenhar é parte da nossa vida, na nossa casa quase tudo vira desenho. Temos pilhas de desenhos que são a  nossa história. Um diário colorido e meio bagunçado. Além de desenhar bastante, gostamos de cozinhar, ouvir música, ir ao cinema, treinar artes marciais, ler, inventar histórias, poemas e passear por aí… Moramos em um minibosque cheio de árvores, pássaros e insetos.
Nossa família é grande, tem muita gente, gatos, cachorros, tartarugas, galinhas e fadas… acabamos de adotar mais um gatinho, é amarelo e chama-se Ki.
Quando recebemos o convite da Paula ficamos muito animados, porque o universo de onde parte a criação dos desenhos,  cores e estampas da Orangotango parece-se muito com o nosso, são temas muito familiares. Começamos a fazer vários desenhos. Foi difícil fazer a seleção e escolher a melhor composição. Fiquei preocupada com as diferenças entre linhas dos meus desenhos e dos desenhos do Artur, mas acho que essa diferença é um ponto alto da composição.
Pesquisamos fotos de animais e também pinturas de diversos artistas sobre animais. No final, sem querer, até inventamos bichos que não existem.
Já fiz desenhos para histórias do Artur e histórias para desenhos dele.  Já continuamos desenhos um do outro, já colori desenhos dele e ele coloriu os meus, mas nunca havíamos feito um trabalho coletivo de desenhos. Ficamos muito felizes e agora estamos curiosos para ver como esse jardim mágico de pano vai florescer.”
Adriane

Orangotango feliz!

esperamos que vocês gostem das novidades.

até já!

29 set

MARINHEIRO SÓ, QUEM TE ENSIONOU A TATUAR?

O que te vem à cabeça quando pensa em tatuagens clássicas?
Imagens como uma âncora, coração,  pin-ups ou  andorinhas?
Então você pensou em Sailor Jerry.
Pai do estilo “old school”, ele é considerado por muitos o principal artista da tatuagem de todos os tempos.
O americano Jerry nasceu em 1911 em Reno, Nevada. Aprendeu o ofício com um homem do Alasca chamado “Big Mike”. E fez muita tatuagem  na galera casca-grossa da região.
Mais tarde, alistou-se na Marinha e navegou muito, estabelecendo-se no Havaí.
Vela e tatuagens foram apenas dois de seus empreendimentos profissionais. Ele tocou saxofone em uma banda e teve um  programa de rádio.
Como tatuador, criou um estilo inconfundível, caracterizado por linhas em negrito inabalável e com um uso refinado de cores e detalhes incríveis.
Seu estilo, reverenciado até hoje,  é um combinado da América e tradições asiáticas, com muita cor e imagens icônicas.
Sou fã  de tattoos e especialmente do estilo do Jerry. 
Inspirada por suas tatuagens, vela, mar e marinheiros, criei a coleção de verão da Orangotango que já está na loja.
Dá uma olhada aqui!
Um viva para o marinheiro Jerry!
19 jan

COMO NASCEM OS PATA PATAS

Você já deve ter ouvido falar em Pata Pata. A canção, que ficou famosa na voz da sul-africana Mirim Makeba,  grande ativista pelos direitos humanos e contra o apartheid, me inspirou.

Em homenagem a ela, batizei na Orangotango, um vestido. O Pata Pata lembra os vestidos e batas africanas, com babados e acabamentos manuais. Ele também passa pelo processo da estampa única.

São técnicas africanas e indianas de estamparias manuais.

Ele nasce assim:

Numa mistura dos processos de tingimentos, entre tritiks, leherias e batiks, os tecidos na cor cru vão ganhando cor e textura. São amarrações, dobraduras, alinhavos que, depois de mergulhados nas tinas de cor, viram desenhos nos tecidos, como num passe de mágica.

Depois, o Pata Pata vai para o corte da sua modelagem. Todos aqueles pequenos pedaços de tecido vão para a costura e dão torma tridimensional ao vestido.

Hora dos acabamentos. Mais um processo manual, Cada peça começa a ser crochetada. Sua pala e biquinhos ao redor das barras vão aparecendo.

Pronto, nasceu o Pata Pata!

17 nov

A ROUPA QUE FALA

 O wax-print é a cara da África.

Essa técnica de estampar dos dois lados o tecido de algodão (tecido sem avesso) está diretamente ligada ao batik indonésio.

Em meados do século 19, os holandeses tentam entrar no importante ramo de tecidos. Criam o dutch wax: um processo semifabril, onde cilindros de cobre com motivos gravados aplicam uma máscara de cera pelo tecido. Um tingimento em índigo vem em seguida e as demais cores são aplicadas a quadro.  Esses tecidos são introduzidos e apreciados na África Ocidental, onde os batiks indonésios já eram admirados há muito tempo. Os holandeses, então, adaptam o desenho dos tecidos ao gosto do mercado africano.

Os padrões impressos nos tecidos não são apenas decoração. Os tecidos falam. Cada motivo corresponde a um nome, um provérbio ou uma idéia. Falam das relações entre marido e mulher, entre a mulher e as outras mulheres, entre cada um e a comunidade.

Os verdadeiros wax quase não existem mais. São caros e aguentam muitas lavagens sem perder o colorido. Nos últimos anos, os chineses vieram alterar drasticamente o funcionamento do mercado. Produzem os desenhos clássicos em estamparia industrial, em larga escala.

04 nov

O FEITIÇO DOS TINGIMENTOS

      

Separar e preparar o tecido, planejar a técnica e o desenho da estampa, costurar, amarrar, dobrar. Tudo isso é uma delícia. Mas nada para mim se compara ao momento mágico do tingimento.

A alquimia vai começar. Água, pigmentos coloridos, mergulhe tudo e… surpresa!

Comecei a entender por que gosto tanto deste momento. Duas cenas vêm na minha cabeça.

Sabe quando se tira uma foto com aquela máquina antiga? Sim, aquela que tem um filme e cada clic tem uma pose especial? Depois, é hora de revelar o filme. Quarto escuro e a magia vai começar. Adoro.

Outra: Lembra daquelas mulheres misteriosas, encantadoras e também assustadoras, que misturavam suas poções mágicas, cheias de segredos e mandingas, em seus caldeirões? Adoro também.

Tingir é um trabalho manual como ampliar sua própria foto, e tem um quê de bruxaria.

          

19 out

"TIE-DYE": EU NASCE HÁ 1.000 ANOS ATRÁS

Aposto com você que quando falo em pigmentos, tinturaria, técnicas ancestrais de estamparia, a palavra que vem logo à sua cabeça é ” tie- dye”, certo?

Comigo acontecia a mesma coisa. Mas não é bem assim.

Quando entrei de cabeça no mundo dos tecidos, tintas, dobras, costuras e amarras, descobri que não era justo generalizar, desprezando assim tantos anos e tentativas de acertos e erros de nossos antepassados.

Explico: o que conhecemos como “tie-dye” (amarrar e tingir) ficou muito popular nos anos 60 com o movimento hippie. Sem regras e com muitas opções de misturar cores e produzir com as próprias mãos desenhos lisérgicos.

Mas você pode se surpreender ao saber que a história do “tie dye” realmente começou muito antes dos defensores do livre amor ou de Woodstock. As primeiras referências ao “tie dye” têm registros históricos no antigo Japão e China.

Na China, foram usados de 618 a 906, durante a dinastia Tang. No Japão, a técnica foi usada durante o período Nara, de 552-794. Os corantes eram extraídos de flores, frutos, raízes e folhas.

Por volta do século 15, um estilo de tie dye conhecido como Tsujigahana (traduzido como “flores na passagem”) tornou-se moda. Este processo utilizou a dobras e costuras para delinear  e reservar as partes do tecido a ser tingido,  permitindo a separação das cores.

Enfim, o tie-dye começou muito antes dos hippies. Estes só se apropriaram dele.

21 set

ESTAMPA DA SEMANA: TRITIK

Não dá para entrar neste mundo da estamparia ancestral sem citar o “Tritik”.  Afinal, tudo pode ter começado com ele.

Tritik significa ponto amarrado, onde a estamparia é feita por contenção na amarração. Seus registros datam de 11.000 a.c, final do período Neolítico, onde aparecem em peles. São especiais pois  representam o início da estamparia do homem, e marcam a representação do elemento geométrico: círculo.

Os pequenos círculos são encontrados  em várias civilizações. África, Ásia e até por aqui na América do Sul, feito pelos incas. Na Índia, ele é um capítulo à parte.  Está em quase toda estamparia e ainda recebe o adorno de contas, espelhos, vidros e metais.

21 jun

ESTAMPA DA SEMANA: BATIK JAVANÊS

      

Técnica milenar da estamparia, cuja origem até hoje não foi exatamente determinada. Levada pelos hindus foi na ilha de Java que ele floresceu.

 A execução do batik javanês compreende 2 etapas: aplicação de máscara de cera sobre tecido e a tinturaria da peça.

Um mundo à parte dentre as técnicas de estamparia. São infinitas as possibilidades de padrões, cores, composições.

Este xadrez acima é o meu primeiro. Feito em palha de seda.

31 mai

ESTAMPA DA SEMANA: LEHERIA

Conheci o leheria nas minhas aulas de estamparias com o já citado Celso Lima. Confesso que é um dos processos que mais tem me encantado. Os efeitos são maravilhosos.

O leheria é uma antiga técnica de estampar dos marwaris, grupo étnico do Rajastão, no norte da Índia, e é seguramente um dos mais esplêndidos processos de plissagem artesanal de algodão.  Os enormes turbantes que os marwaris usam são na verdade levíssimos, já que todo o volume da peça é dado pelo plissado da bandagem de algodão utilizado nessa estamparia.

 Seus motivos em listras, xadrezes e diagonais levam o nome de padrão “mothara”, devido à sua região de origem; cada clã rajastani possui suas estampas e cores próprias.

     

                           

                        

                                                        leheria em seda

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