12 jun

MAMA ÁFRICA – PARTE 1

A idéia de viajar para a Africa surgiu não só da vontade de desbravar o continente mais antigo da terra e sua rica cultura, como também, ver de perto a realidade de um mundo que está bem longe de nossos olhos, por vivermos “dentro da bolha” de uma cidade grande.

O país da África ainda estava indefinido. Porém, pesquisando alguns projetos humanitários por aí (e digo que tem muitos, incluindo um grande “mercado” turístico de voluntariado), CAMARÕES, país de língua francesa, acabou me escolhendo para a vivência dessa jornada.

Vim parar em Yaoundé, no sul de Camarões. Por aqui não existem serviços gratuitos de saúde e educação. Fui trabalhar em um pequeno Hospital/Maternidade no bairro de Mvog-Ada, o Centro de Saúde e Maternidade Mont Calvaire. Aqui todos os partos são naturais e o paciente paga uma quantia simbólica apenas para pagar os custos básicos e o restante é mantido por entidade religiosa e freiras missionárias que fazem um trabalho de tirar o chapéu!

Meu primeiro passeio foi no sábado, Dia de Casamentos em Yaoundé. Percebi que existia uma movimentação diferente quando vi carros parados em frente às barracas de flores sendo inteiramente decorados. Fomos até a igreja matriz e uma banda tocava na porta recebendo os convidados.

As freiras me contaram que por ser um casamento de um branco com uma negra, a festa seria maior ainda. As madrinhas vestiam roupas pra lá de coloridas. Todas usavam o mesmo tecido estampado, porém em modelos diferentes. As crianças tinham seus cabelos trançados como eu nunca tinha visto na vida. Sem falar nos gritos e sorrisos entusiasmados dos convidados.

O país é predominantemente católico e as cerimônias são encantadoras. Cânticos são recitados em dialetos locais (são mais de quatrocentos dialetos), acompanhados por um belíssimo coral tocando o Djembé (tambor africano) no meio da reza.
Depois da cerimônia, segui para a periferia, onde uma das religiosas faz um trabalho de educação. Lá quase cinquenta crianças, amontoadas em uma sala bem pequena , tinham aula de canto e dança.

Cantavam lindamente e fizeram uma apresentação de dança local assim que eu cheguei. Levei uns pirulitos brasileiros que fizeram o maior sucesso. Apesar de meu francês muito fraco, pude compartilhar um pouco da cultura brasileira, apresentando nossos ritmos e danças.

Isso é uma pequena amostra de tudo o que vejo em minha nova rotina.

Não posso deixar de falar que vejo muita coisa triste também. Não é raro encontrar por aqui supermercados para brancos e outros para negros, transito caótico, leprosos pela rua, mulheres que chegam na maternidade sozinhas para dar a luz, sem ao menos a companhia do marido ou de algum familiar, ou ainda muitos casos de crianças que desaparecem completamente, fazendo o disparar o índice de tráfego humano para retirada de órgãos ou adoção clandestina.

Enfim… comecemos pela parte boa da história. Tem muito ainda pela frente! AU REVOIR…

Paula Scarpato – relações públicas de formação, 35 anos, aquariana, com ascendente em leão e lua em sagitário… essa sou eu!!! Após 12 anos atuando em mercado fonográfico e publicitário, resolvi partir para uma experiência que ninguém poderia vivenciar por mim: pedi demissão de meu cargo de Gerente de Marketing. O destino escolhido foi a África, com a missão de trabalhar para os mais necessitados. E assim fui.

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